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quinta-feira, 29 de maio de 2025

[Review] Tormented Souls (Multi)

 Em meio à enxurrada de jogos de horror genéricos e superficiais da atualidade, Tormented Souls surge como um verdadeiro sopro gélido de nostalgia – da melhor forma possível. Desenvolvido pela Dual Effect em parceria com a Abstract Digital e publicado pela PQube, o jogo não esconde suas intenções: prestar uma reverência sincera aos pilares do survival horror. Se você é fã de Resident Evil (1 a 3 e Code: Veronica), Silent Hill ou Fatal Frame, prepare-se para uma viagem intensa e aterradora direto para os seus piores pesadelos dos anos 90.

Ficha Técnica
Desenvolvido por: Dual Effect, AbstractDigital
Publicado por: PQube
Gênero: Survival horror, Puzzle
Série: Tormented Souls
Lançamento: 2021
Classificação indicativa: 18 anos
Modos: Single Player
Disponível para: PC (Steam), PS4, Nintendo Switch

 

Uma carta de amor ao passado – e um puxão na coragem dos jogadores modernos

A protagonista Caroline Walker acorda nua em uma banheira, com um susto que já estabelece o tom do que vem pela frente: mistério, tensão e o constante desconforto de estar sendo observada. Ela parte em busca de duas irmãs desaparecidas em uma mansão sinistra, e o jogador logo percebe que está imerso em algo muito mais profundo – e sombrio – do que imaginava.

Ao optar por uma câmera 100% fixa, os desenvolvedores não apenas evocam o espírito dos jogos antigos, mas criam uma experiência deliberadamente inquietante. Não ter controle total sobre o que se vê reforça a sensação de vulnerabilidade. A ambientação, por sua vez, é um espetáculo à parte: cada canto da mansão está repleto de detalhes, armadilhas e segredos que exigem investigação minuciosa. Não se trata apenas de avançar, mas de sobreviver com inteligência.

Escuridão como mecânica real e atmosfera sufocante

Diferente dos sustos fáceis e jumpscares sem propósito, Tormented Souls constrói o horror com camadas densas. O jogo é propositalmente escuro – e não apenas visualmente. Se você andar sem uma fonte de luz (como um isqueiro), corre o risco de literalmente sumir na escuridão. É uma mecânica simples, mas extremamente eficaz, que contribui para uma sensação constante de urgência e isolamento.

Outro acerto é o uso de objetos 3D que precisam ser rotacionados e examinados em todos os ângulos. Nada é entregue de bandeja. Cada pista exige atenção, e os documentos espalhados pela mansão revelam um enredo macabro de experimentos, segredos e loucura.

Armas de pregos, combate tenso e munição limitada

Esqueça metralhadoras ou lança-chamas. Aqui, a protagonista usa uma espécie de "pregadeira" para se defender dos inimigos, o que adiciona um sabor inusitado à jogabilidade. Mas cuidado: os pregos são limitados, e os inimigos precisam de vários acertos para caírem. Se você for afoito, logo se verá indefeso. A sensação de risco é constante e deliciosa para quem gosta de tensão real, não enlatada.

Os inimigos, por sua vez, são grotescos e bem construídos. A mansão é habitada por bonecos torturados, figuras retorcidas que remetem ao horror corporal de Silent Hill. E se você tem pavor de bonecos com olhos costurados... boa sorte.

História fragmentada, puzzles clássicos e o prazer de se perder

A narrativa é contada aos pedaços, através de anotações, objetos e textos escondidos. É uma escolha ousada, que recompensa o jogador paciente e curioso. Os puzzles seguem a velha guarda: girar alavancas, combinar itens, decifrar códigos. Pode parecer retrô demais para alguns, mas para quem cresceu jogando com papel e caneta ao lado do controle, é uma experiência deliciosa.

Ponto alto: Atmosfera retrô bem executada e respeito às raízes do gênero
Ponto fraco: Ritmo pode ser lento demais para jogadores mais acostumados com ação direta

Versão Nintendo Switch: desempenho surpreendente

Uma das grandes surpresas foi o ótimo desempenho no Switch. Mesmo com toda a carga gráfica e escura do jogo, não há engasgos, quedas de FPS ou problemas técnicos. E mais: as sombras e reflexos são renderizados em resolução nativa, algo raríssimo no console híbrido da Nintendo. É um mérito que merece ser destacado – e a prova de que com cuidado e paixão, o Switch pode sim abrigar experiências visuais impactantes, que me faz lembrar o mesmo ocorrido com Resident Evil 2 de Nintendo 64, conhecido por ser um "port impossível".

Trilha sonora envolvente e inteligente

Outro ponto que merece aplausos é a trilha sonora. Ela é contextual, mudando de acordo com o ambiente e a tensão do momento. Há momentos em que o silêncio predomina – e isso é proposital. Quando a música entra, é para dar peso emocional ou intensificar o terror. Em tempos de soundtracks genéricas, Tormented Souls mostra como se faz.

Veredito Final

Tormented Souls é mais do que um jogo. É um lembrete de que o verdadeiro terror não está em monstros pulando na tela, mas em atmosferas densas, decisões difíceis e no som de seus próprios passos em uma mansão onde algo claramente deu muito errado. Para fãs de survival horror raiz, essa é uma experiência imperdível. Para novatos, é um batismo de fogo – ou melhor, de sombras.

Nota Final: 9/10

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

[Review] Resident Evil 2 remake (Multi)

Resident Evil 2 finalmente ganha um remake à altura para os que esperaram longos 20 anos por sua volta triunfal!


Sobre o Jogo

Resident Evil 2 Remake é uma repaginada em um clássico do Survival Horror da Capcom que chegou em grande estilo, para trazer de volta o terror que havia sumido nas últimas versões da franquia. O que tornou a série icônica, e foi se perdendo a partir de Resident Evil 4, volta com tudo, agradando a gregos e troianos, pois tem tanto quebra cabeças que fazem pensar, quanto algumas novidades que fazem sucesso entre os novos jogadores.



Há um toque de nostalgia misturado à uma imensidão de novidades, e tudo graças à RE Engine, exclusiva da Capcom, feita exclusivamente para criar os jogos no estilo (Aventura/RPG/Survival Horror).

História

Leon S Kennedy é um policial novato que está chegando para ser um reforço na delegacia de Racoon City, e chega bem no meio de uma confusão gerada pelo G Vírus, criado pela indústria farmacêutica Umbrella Corporation, que parece estar ligada à tudo, inclusive orfanatos, estabelecimentos comerciais, e à própria delegacia da cidade.

Ao mesmo tempo, a estudante universitária, Claire Redfield, chega na cidade para procurar por seu irmão que não dá notícias há algumas semanas, acaba por conhecer Leon, e agora precisa lutar para sobreviver, e se possível, salvar algumas vidas.


 Você escolhe se fará a história de Leon ou de Claire, que inicialmente são parecidas, porém, tem seus próprios caminhos, para chegar aos seus respectivos destinos.

Será que o mundo está preparado para esta infestação zumbi?

Gameplay

Começando pelos controles, eles são bem simples, mas, é preciso tomar um certo cuidado para não se confundir durante a ação do jogo. Quando você abre um mapa, ou o inventário, o tempo dentro do jogo é pausado, o que é bom, pois os inimigos não te atacam enquanto você está planejando algo, por exemplo.



Assim como na versão clássica, é possível examinar os itens, e procurar por detalhes, códigos, puzzles, dicas importantes, objetos que se combinam para virar outra coisa, trazendo uma mistura de itens antigos (computadores com tela de tubo) com novidade (com entradas USB para resolver alguns quebra cabeças).

O "impacto" das portas, em alguns momentos fica mais artificial, mas, não chega a atrapalhar muito na jogatina. Em alguns momentos, apertar para correr pode não ser respondido corretamente, então, é necessário prestar atenção em vários detalhes(quantidade de sangue, tamanho da arma sendo utilizada no momento, dentre outros detalhes).

Há possibilidade de personalizar os botões, caso haja necessidade, assim como é bom calibrar a luminosidade do jogo de acordo com a sua tela, seguindo as dicas do jogo no momento certo.

Audiovisual

A trilha sonora ficou ótima, e deixa o clima tenso como ele deve ser, o que já ganha ótimos pontos positivos à direção musical. Não há muito o que falar sobre esta parte, afinal, há dublagem em várias línguas, sons bem editados, só é uma pena que não tenha dublagem brasileira. Em contraponto, as legendas estão mais completas, e há o Português Brasileiro, pra felicidade do público que não sabe outras línguas. Quem sabe, de repente, não apareça uma DLC de dublagem brasileira futuramente? A adaptação das legendas está muito boa, inclusive na mudança de linguagem de um personagem pro outro, que faz com que o jogador consiga sentir a personalidade diferente de cada um.


O roteiro se manteve fiel, e acrescentou algumas respostas, mudou pequenos detalhes, fazendo com que, desta forma, continuasse na cronologia canônica anterior, sem perder a essência, e não haver conflitos futuros nos jogos que vieram a seguir.


Na parte gráfica, já há alguns pontos negativos. Após Resident Evil 4, houve uma regressão na qualidade das texturas, sabe-se lá o motivo. As texturas de sangue e de água ficaram cada vez menos realistas, parecendo que não houve preocupação com isso (sendo que são elementos fortes nesta franquia). Os personagens ainda parecem bonecos, porém, a movimentação está bem melhor que a maioria dos jogos anteriores, então é um ponto positivo. Ainda há uma falha ou outra em questão de perspectiva/sombra-luz em alguns detalhes, mas, isso não atrapalha a jogabilidade. O design dos monstros continua assustador e divertido ao mesmo tempo. Nas cutscenes, vemos um salto tecnológico enorme nas formas dos Tyrants e Lickers, e principalmente em William Birkin, em cada estágio que o encontramos, assim como no jogo clássico.

Uma curiosidade sobre o "Modo Tofu Sobrevivente" é o fato de terem escaneado um tofu de verdade para fazer suas texturas. Isso foi simplesmente GENIAL!

Conclusão

Resident Evil 2 Remake ganhou um lugar ao pôr do sol na vida de muita gente que esperava desde o clássico de 1998, porque fez jus ao que prometeu, em cada detalhe. Podia ter uma dublagem brasileira (pra imersão dos brasileiros ser maior ainda), e podia ter uma preocupação maior em melhorar a textura de líquidos (sangue e água), mas, tirando estes detalhes, vale muito a pena, e agrada em cada minuto de jogatina, tanto para gamers das antigas quanto pra galera gamer atual.


Pontos Positivos

- Gráficos melhorados de cenários e personagens;
- manteve a história fiel e quase inalterada;
- manteve a essência do Survival Horror e dos Puzzles;
- acrescentou algumas respostas para se manter mais firme à história dos jogos que vieram a seguir;
- fez pequenas mudanças que ajudaram a firmar algumas pontas soltas do jogo antigo;
- manteve os modos de jogo (A/B/4th/Tofu);
- traz algumas surpresas e novidades bem agradáveis;
- jogabilidade fluida

Pontos Negativos

- texturas de líquidos ainda abaixo do esperado;
- "impacto" com portas um pouco artificiais;
- perspectiva de braços, em cutscenes, um pouco estranhas;
- DLCs caras (podiam ser mais baratas)

NOTA FINAL 8.5 / 10

Review comentada:


Gameplay: