quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Mystical Ninja: o que aconteceu com o clássico do SNES?

Imagem gerada por IA

Quem teve um Super Nintendo nos anos 1990 talvez se lembre de um jogo bastante diferente circulando entre os cartuchos de Mario, Donkey Kong e Street Fighter. Em The Legend of the Mystical Ninja, dois sujeitos percorriam um Japão colorido e completamente maluco, enfrentando inimigos, visitando cidades, comprando comida, participando de minigames e entrando em fases de plataforma.

Para muitos jogadores ocidentais, aquela foi a primeira — e durante muito tempo praticamente a única — experiência com Goemon.

O curioso é que Mystical Ninja não desapareceu. Nós é que deixamos de receber seus jogos.


Antes de Mystical Ninja, já existia Goemon

Lançado originalmente para Super Famicom em 1991 como Ganbare Goemon: Yukihime Kyūshutsu Emaki, o jogo chegou ao Ocidente como The Legend of the Mystical Ninja. A localização chegou a trocar os nomes dos protagonistas: Goemon tornou-se Kid Ying e Ebisumaru virou Dr. Yang.

Só que Goemon já era uma franquia estabelecida da Konami no Japão.

Inspirado livremente na figura folclórica de Ishikawa Goemon, o personagem protagonizava jogos desde os anos 1980. A série misturava referências ao Japão do período Edo com humor, fantasia, ficção científica e todo tipo de absurdo que seus desenvolvedores resolvessem colocar na tela.

Os três jogos lançados para Famicon que vieram antes da aventura para SNES foram:

  • Ganbare Goemon! Karakuri Dōchū — 1986
  • Ganbare Goemon 2 — 1989
  • Ganbare Goemon Gaiden: Kieta Ōgon Kiseru — 1990, um RPG
  • Mystical Ninja foi apenas a porta pela qual parte do público ocidental entrou naquele universo.

    O jogo que parecia não ter continuação teve três

    Depois de The Legend of the Mystical Ninja, quem estava no Ocidente poderia imaginar que a história simplesmente tinha acabado.

    No Japão, aconteceu exatamente o contrário.

    O Super Famicom recebeu Ganbare Goemon 2: Kiteretsu Shōgun Magginesu em 1993, Ganbare Goemon 3: Shishijūrokubē no Karakuri Manjigatame em 1994 e Ganbare Goemon Kirakira Dōchū: Boku ga Dancer ni Natta Wake em 1995.

    Nenhum dos três recebeu lançamento ocidental naquela época.

    É uma situação curiosa para quem conheceu a franquia pelo SNES: mais de três décadas depois, é possível descobrir que aquele jogo aparentemente solitário fazia parte de uma sequência inteira que simplesmente ficou do outro lado do planeta, e Goemon continuou.

    O retorno no Nintendo 64

    A série reapareceria no Ocidente durante a geração seguinte.

    Mystical Ninja Starring Goemon, para Nintendo 64, transformou aquele universo em uma aventura tridimensional e apresentou a muitos jogadores ocidentais elementos que já haviam se tornado parte importante da franquia japonesa.

    Entre eles estava Goemon Impact, um gigantesco robô que acrescentava ainda mais absurdo a uma série que nunca teve medo do absurdo.

    Depois veio Goemon's Great Adventure, também para Nintendo 64.

    Mas essa reaproximação durou pouco. Enquanto novos títulos continuaram sendo produzidos para o mercado japonês, Goemon voltou a desaparecer das prateleiras ocidentais.

    A última grande aventura tradicional da série seria lançada para Nintendo DS em 2005.

    E então veio um silêncio de aproximadamente duas décadas.

    Goemon não morreu

    Em 2026, quando a série completa 40 anos, a Konami resolveu abrir novamente o baú.

    Ganbare Goemon Daishūgō! reúne 13 jogos clássicos da franquia em uma coleção lançada para Nintendo Switch, PlayStation 5 e PC.

    Entre eles estão justamente os quatro títulos de Super Famicom.

    Isso significa que The Legend of the Mystical Ninja e aquelas três continuações que nunca chegaram oficialmente ao Ocidente podem novamente ser jogados em hardware atual.

    Existe, entretanto, uma velha ironia nessa história.

    A coletânea permanece direcionada ao mercado japonês.

    Quatro décadas depois do nascimento de Goemon, a barreira que separou boa parte dessa série de seus fãs ocidentais ainda não desapareceu completamente.

    E cadê Mystical Ninja no Nintendo Switch Online?

    Para quem conheceu Goemon pelo SNES, sua ausência no catálogo ocidental do Nintendo Switch Online chama atenção.

    Seria um candidato bastante natural à biblioteca de Super Nintendo: é um jogo da Konami conhecido no Ocidente, recebeu localização oficial em inglês e pertence a uma franquia histórica.

    Por enquanto, entretanto, quem quiser reencontrar oficialmente Goemon em uma plataforma atual tem como alternativa a nova coletânea japonesa.

    E há um detalhe importante: não é simplesmente um ROM colocado em um menu.

    A M2 participou do desenvolvimento da coleção, que ainda recebeu edição física e uma série de produtos comemorativos dos 40 anos.

    A Konami voltou a produzir mercadorias de Goemon: acrylic stands, chaveiros, pins, acessórios e até itens inspirados na cultura tradicional japonesa.

    Procuramos até pelúcia.

    Aparentemente, aí já estávamos exigindo demais.

    Um clássico que ficou preso entre dois mercados

    Revisitar The Legend of the Mystical Ninja hoje também ajuda a perceber como ele era estranho — no melhor sentido possível.

    Em um único cartucho havia plataforma, combate, exploração, cidades, lojas, comida, dinheiro, minigames e multiplayer cooperativo. Em vez de funcionar apenas como intervalo entre fases, algumas cidades pareciam pequenos lugares nos quais o jogador podia simplesmente perder tempo.

    É uma filosofia de design que continua extremamente divertida.

    Talvez seja justamente por isso que Mystical Ninja permaneça na memória de quem o encontrou na época do SNES mesmo tendo recebido tão pouca continuidade no Ocidente.

    Nós conhecemos apenas um pequeno pedaço de uma história muito maior.

    Agora, 35 anos depois daquele jogo de Super Famicom, Goemon está novamente em uma plataforma Nintendo. Há uma coletânea, produtos comemorativos e uma celebração oficial de seus 40 anos.

    Só falta a Konami lembrar que existem jogadores fora do Japão esperando por ele.

    E, por favor, desta vez tragam também produtos licenciados e um anime, a franquia tem irreverência e carisma suficiente para ir bem além dos games.