quinta-feira, 18 de junho de 2026

Como Criar Jogos Retrô Ficou Mais Fácil nos Últimos Anos

Imagem: Reprodução 
Se você acha que, nos anos de origem dos videogames, existiam engines facilitadas como Unity, Unreal ou Game Maker, saiba que você está redondamente enganado. Nos anos 50, o conceito de videogame mal tinha sido inventado, começando com o bom e velho jogo da velha, na época chamado de OXO. Os jogos eram programados em linguagem de máquina e linguagem Assembly em um EDSAC, considerado o primeiro computador digital eletrônico de programa armazenado a fornecer um serviço regular no mundo. O EDSAC era um computador de laboratório universitário, uma máquina puramente experimental e acadêmica.

Ok... vamos saltar para as décadas de 60, 70 e 80, quando pequenos grupos de estudantes e pesquisadores criavam jogos como hobby ou forma de experimentação em Assembly. Foi a partir daí que surgiram o famoso Pong e os arcades (fliperamas). Viajando mais além, chegamos à época dos primeiros consoles, como o Odyssey, MSX e Atari 2600, sendo este último responsável pelo famoso "Crash de 83".


O filme interativo de Black Mirror ilustra parte de como era complexo, antigamente, desenvolver para consoles antigos na década de 80.

Embora a linguagem C tenha surgido como uma forma mais "moderna" do Assembly na década de 70, ela só passou a ser utilizada de fato na era dos 16 bits, quando ocorreu a lendária "Console War" entre SEGA e Nintendo. Cada um tem sua visão sobre quem teria "ganho a guerra", mas, mesmo assim, os consoles de 16 bits ainda apresentavam certas limitações. Até mesmo o PlayStation 1, que chegou na metade dos anos 90 e revolucionou a indústria dos games, possui limitações técnicas.

Agora, voltando aos tempos atuais, eventualmente foram surgindo ferramentas que facilitaram o desenvolvimento de jogos para Mega Drive, NES, o primeiro Game Boy e outras plataformas clássicas.



A começar pelo SGDK, de onde surgiram diversas ferramentas para desenvolvimento, como o Hamoopig, criado por Daniel "Game Dev Boss", que revolucionou a produção de jogos de luta para Mega Drive. Dessa ferramenta surgiram ótimos fangames feitos por fãs, como o remake de Fatal Fury 1 para Mega Drive, Real Bout Fatal Fury Special, desenvolvido pela equipe Rheo Bout, além de uma menção honrosa ao Kunio no Nekketsu School Fighters, criado por Usagiru.

Parece Arcade, mas é Mega Drive

Nekketsu Schol Fighters feito pelo Usagiru

Além do SGDK, também existem o NES Maker para o Nintendinho 8 bits, o GB Studio para o primeiro Game Boy, entre outros.

Quer dizer que agora consigo fazer facilmente um jogo para um console antigo?

R: Sim e não. Embora essas ferramentas facilitem bastante o desenvolvimento, ainda existem algumas ressalvas. Elas ajudam a criar algo funcional, mas não necessariamente a dominar completamente o hardware. Quem deseja extrair o máximo desempenho de um NES, por exemplo, ainda precisa entender o processador 6502, a PPU, os ciclos de processamento, os bancos de memória e os mappers.

Minhas conclusões

A história do desenvolvimento de jogos está sempre evoluindo, mas entender suas origens também é importante para aprimorar ferramentas, criar novos projetos e manter vivo o legado dos consoles antigos, seja para MSX, Odyssey, Mega Drive ou qualquer outra plataforma clássica.

Hoje em dia, com a evolução da internet, é possível ver pequenos grupos independentes e até pequenas empresas desenvolvendo projetos ambiciosos para consoles antigos. Muitos deles, inclusive, podem ser encontrados na Retrocon deste ano.


Revisão ortográfica por IA

Artigo de Opinião: As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade de seu autor e não refletem necessariamente a linha editorial do Jam Games.